sábado, 6 de janeiro de 2024

entreguei-me várias vezes, por várias e longas noites em queda livre das lágrimas que me caíam do rosto sem fim à chegada, sem noção donde nasciam.

entreguei-me muitas vezes a elas, sufocando o grito na almofada, à noite, abafando-o em gargalhadas altas e repentinas, enrolada em porquês e a patinhar num limbo interinável.

tenho comigo desde a infância, todas as ferramentas que preciso para lidar com momentos assim. porém, a minha natureza obriga-me a baixar os joelhos e curvar-me perante a minha dor e em simultâneo a minha ancestralidade e a minha essência.

por cada lágrima caída, um desafio superado. 

por cada choro, uma aprendizagem.

por cada gargalhada, uma satisfação de quem fez o que podia ter feito.


aprender a lidar com o ego é algo que ninguem nos ensina a não ser a vida, e ela não é madrasta, é só incompreendida. 

tu fazes o teu destino, escolhes ser a personagem principal ou secundária, carrasco ou vitima mas mais importante que o papel é que a escolha seja tua. 


perdoa e segue. 

foca-te no objetivo principal. descobre o teu motivo. o teu querer. a tua essencia. o resto vem. sempre vem. no tempo que tem de vir. trabalha a tua sapiência, a tua paciência e o teu ego curvar-se-a perante ti quando perceber que quem escolhe as batalhas és tu e quem as termina és tu também!

quinta-feira, 4 de janeiro de 2024

chegou o novo ano! - 2024

 começo 2024 de uma forma completamente inesquecível para a prosperidade!!!

sim, outros anos comecei com uma corridinha, uma daquelas resoluções de ano novo que não vai além de umas mese e olha lá, se não pára nas primeiras chuvas que se sigam! 

no entanto, não seria justo para mim não resalvar todo um trabalho que começou há uns meses atrás com a desculpa de um grupo de terapia enquanto fazíamos umas caminhadas, para descargo de consciência, em fazer algo mais que o treino no ginásio! 

ah inocente... não durou dois meses que não tivesse surgido aquela vontade de esticar as pernas numa corrida e daí em diante foi somar quilómetros, tempos de corrida por km, cadência e ppm's, material p'ró running e há-de piorar! (ou não...) enfim!

2024 começou com uma corridinha que eram para ter 5km e acabaram quase em 8km com direito a mergulho no mar! Deus me livre! mas quem me manda a mim pôr-me nestas aventuras?!

se soube bem? epah... eu diria que para uma primeira vez e levando em conta a sobrevivência aqui da je... ah! bablelas à parte soube muita-bem!

não me enfiaria no mar se não confiasse no que via, sem pedir autorização e sem fé, acima de tudo! afinal... nem sei qauntos graus estavam no mar às 11h da manhã deste primeiro dia do ano mas claramente não foram suficientes para que não me enchesse de coragem e entrasse.

o dia seguiu-se entre comida a mais, alcool um pouco a mais do que é habitual mesmo em dias de festa, preguiça com direito a sesta e uma sensação de leveza e paz que não houve nada capaz de abalar o que senti nestes dias seguintes.

conclusão: preciso mais disto, mais corrida, mais banhos de mar, mais risadas, mais desafios, mais foco. menos excessos de comida e alcool, menos pessoas chatas, menos mi-mi-mi!


feliz 2024 para todos

domingo, 22 de outubro de 2023

eu vivia iludida. numa ilusão que não era benvinda mas eu nem sabia, não a conhecia. eu vivia uma paixão assolapada que se converteu num amor arrebatador que gerou uma família... ou não!

afinal há coisas que sentimos que não se encaixam naquilo que queremos ver (ninguém nos ensina isto).

quando finalmente acordas eis a questão: dormi o tempo todo? alguma coisa foi real? porque... haviam cheiros, senti sabores, tive frio, tive calor e agora há o medo. 

depois também, há uma dormência que toma conta de ti até questionares o sentido de tudo - do caminho percorrido, das experiências vividas, das pessoas conhecidas; e a certeza de que há cada vez menos pertença a este lugar e cresce de dia após dia. 

um dia eu ria genuinamente feliz; agora a gargalhada é a tomada de fôlego para dar a volta à chave. 

não foi nada disto que eu imaginei um dia... mas também nunca ninguém me perguntou e eu também nunca o disse então... hoje... isto não passam de lamúrias vãs.

quarta-feira, 11 de outubro de 2023

voltei

 voltei. 

ando há anos para retomar onde fiquei. 

sempre há um motivo bom para isso assim como também há uma desculpa ainda melhor para ficar como está.

não me identifico com nada do que está agora. nem sei na verdade se me identifico comigo mesma. há horas muito duvidosas. 

o dia mais fácil foi ontem e o desafio do amanhã, confesso, esgota-me! tem horas que eu só queria ser criança outra vez, dar colo à minha criança interior com o colo que eu procuro e nem uma nem outra encontra conforto, seja em que lugar for. na verdade seria tudo tão simples se aprendessemos a confortar-nos às duas; tipo com um abraço ou assim.

um sorriso esconde muitas lágrimas; um brilho no olhar nem sempre é fascínio, às vezes só uma lágrima mal disfarçada. pelo menos a gargalhada é genuína! momentânea, é certo, mas é verdadeira.

a naftalina  transformou-se com o tempo; não é mais sobre histórias esquecidas dentro de mim! não sei se alguma vez foram, também. mas em breve é possível que o nome mude como tudo muda em torno da gente...

gostava de fazer reset porém assombra-me a questão: como seria eu? seria melhor ou pior... mais paciente, mais assertiva ou, por outro lado, inconsciente dos meus atos loucos? talvez começar por ter termos comparativos fosse útil!


veremos. até amanhã. vou dormir, espero descansar!

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

quem houvesse e soubesse de alguma coisa...

quem vê o sorriso não sabe das batalhas que enfrenta.
quem vê a maquilhagem não vê as olheiras de noites perdidas por motivos vários...
quem a vê acompanhada sempre de alguém não sabe da solidão que lhe assalta o coração.
quem a vê bendisposta, educada, simpática, não imagina o alívio que sentiria naquele momento se dissesse um fodasse sonoro!

quem vê caras não vê corações! tão clichê, mas touchê!

quarta-feira, 21 de agosto de 2019

Lugares

...

"não há nada como regressar a um lugar que está igual para descobrir o quanto a gente mudou."

Nelson Mandela

assim é com os lugares, assim é com as pessoas, assim é connosco, na verdade.

domingo, 30 de junho de 2019

até já, junho

chegámos, finalmente, a meio do ano sem que isso signifique ir a meio do caminho...
junho... oh junho... donde vieste tu, para onde irás agora?

que leves contigo tudo aquilo que não interessa; todas as amarras das ervas daninhas, que não haja um grão minúsculo de pólen, no ar, que nos atrase a vida num rasgo de ilusão óptica e temporal; e deixes ficar os raios de sol quentes, desses amanhecer alaranjados, que eu conheço da infância.
deixa-nos o perfume doce das azedas no ar e o sabor fresco das cervejas na boca.

preparados ou não, ansiamos a liberdade estival dos campos de trigo ao mandato do vento.
e quer queiramos, quer não, ele chegará para nos surpreender, nos ensinar e nos amar na lágrima, na gargalhada e na oração.

vai junho, vai. voltarás, certamente, daqui a outros trezentos e trinta e cinco dias.

domingo, 23 de junho de 2019

oração

acordei cedo hoje.
na verdade, enganei-me a colocar o despertador quando fui dormir e acordei um pouco mais cedo que aquilo que precisava.
deu para fazer um pouco de ronha.
vestir-me vagarosamente.
maquilhar-me.
beber um café...
enquanto delineava o eyeliner preto, o mais fino possível, por cima do rosa que já lá estava, ocorreu-me um milhão de coisas à minha cabeça para fazer e outro tanto igual ou maior no meu coração de amor e cuidado.
confio e aceito que tudo está bem.
só ainda não excluí, de vez, os porquês ou não aprendi a fazer as perguntas correctas. (há dias que já nem sei se sei alguma coisa embora clichê é uma constante na minha vida, actualmente.)

canela.
café em pó. uma. duas. três. (colheres)
óleo de côco prensado a frio.
água quente.

...

começou a chover.
faço a minha oração.
está tudo bem.

domingo, 26 de maio de 2019

lugar para voltar

entrei sem bater.
fui recebida como sendo da casa.
em casa me sinto.
da casa saio.
e no coração levo amor e um lugar para voltar.

na soleira da porta fui convidada a entrar.
entro todos os dias com o pensamento e o sentimento da criança que resgato dentro de mim.
hoje tenho comigo a benção da madre, aquela que sempre esteve comigo sem que eu imaginasse a importância que eu tinha para ela.
por hoje estou grata pela partilha.
levanta-se um vento de mudança no horizonte; por ora, vou dormir, sei que as estrelas olham por mim e amanhã vou continuar a estar aqui, penso.

desconstruir crenças

cheguei a meio da travessia.

daqui em diante não será mais fácil, será mais desafiador.

mas até aqui... foi uma experiência megalomana!
tomar consciência de que não preciso de nada do que pensava é, no mínimo, e trinta anos depois, avassalador.
recordo como se já fosse algo com muito, muito tempo, a garra com que eu defendia o materialismo, o palpável, o perceptível. não, não me despi já de pré-conceitos definidos nem me libertei do mundo para me entregar a ele porém, a tomada de consciência de que não é nada disso que faz sentido na minha vida e que o caminho não era, definitivamente, aquele, leva-me a questionar onde estive este tempo todo e que direcção leva a sociedade. que relógio tiquetaqueia-lhe no coração.
que horizonte alcança o olhar que não vê.
aprendi uma nova palavra, nunca usada, nunca sentida, nunca entendida, gratidão.
constatar que devo ser grata por tudo o que tenho nas mãos também levou o seu tempo tão simples de justificar por isto: direitos são mal-entendidos como adquiridos - a minha cama, a comida na minha mesa, o tecto que me abriga e nem mesmo o sol ou a chuva, a noite cheia de estrelas ou o céu desenhado pelas nuvens é meu por direito mas andamos aqui a achar que sim!
também andamos aqui a mencionar muito certas palavras mas também cheguei à conclusão que poucas pessoas têm noção do impacto, do significado, do acto implicado de prosperidade.
eu, por exemplo, só usava esta palavra nos votos soltos na passagem para mais um ano. nunca percebi o que era, nunca senti o seu conceito, era outra palavra clichê que a minha boca pronunciava e os meus dedos escreviam. a intenção era boa mas o sentimento não estava lá.
e pergunta quem lê agora, balelas, balelas e fica tudo igual, não fica porque em toda a certeza afirmo, prosperidade é benção.
atenção, sugiro eu, que sou mais um ser que aqui anda, atenção à palavra dada de forma gratuita, o que vai volta, o bem e o mal andam de mãos dadas, são amigos de uma vida, são irmãos.
grata pela vossa atenção

sábado, 18 de maio de 2019

pedras no caminho

que as pedras no meu caminho
sejam algodão
sejam linho
sejam ninho
sejam carinho
sejam porto
sejam amor.
que as pedras do meu caminho
me mostrem o destino
na palma das mãos traçado,
na mente almejado,
nos sonhos alcançado.
que eu tenho sabedoria na agonia.
que eu saiba chorar de alegria.
que eu tenha uma palavra amiga,
que eu seja criativa.
que cada pedra do meu caminho
segure as mágoas da vida,
as lágrimas das feridas,
os medos da virgem,
os pecados da alcoviteira.
e que eu nunca perca o rumo,
não me desampare na beira
e que, enquanto, durmo
descubro a maneira de ser feliz.

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Ninguém dorme

o sangue sobe me à guelra.
o sangue quente.
numa discussão. fria.
a noite vai a meio.
noutra parte qualquer do mundo
já é dia, mentira ou não.
quem te sorri, mente-te.
diz o espelho.
diz o medo.
e desprende-se de mim
um grito surdo
um grito mudo
um esgar cego
um se fim de coisas sem nexo.
e aqui estou eu
a fazer não sei o quê
com o propósito de ser mais além sem resposta a porquês.
Ninguém. está.
Ninguém dorme.

sexta-feira, 3 de maio de 2019

Às vezes

às vezes âncora.
às vezes corrente.
às vezes lancha.
às vezes prancha.
às vezes salto.
às vezes mato.
às vezes choro.
às vezes rio.
às vezes minto.
às vezes não sinto nada
e atiro-me à água como quem sente que a sua vida depende desse acto.

terça-feira, 30 de abril de 2019

O meu aniversário

trinta e um foi um ano de vida atribulado. andei aos trambolhões com a bagagem dos trinta. ontem fechei um ciclo.
adormeço com um sorriso nos lábios e o cansaço no corpo adormeceu me o corpo pesado e bagunçado da agitação dos votos de aniversário aqui e ali, um sorriso rasgado, um adeus levantado.

acordei sobressaltada com o despertador. o dia amanheceu solarengo e eu feliz.

12.04.2019

sábado, 6 de abril de 2019

a lágrima

nasceu.
deslizou.
caiu.
em vão, desamparada,
a lágrima sobre a almofada.

não sei quem foi
não sei porquê,
não sei que me dói
nem sei o que me deu.

terça-feira, 2 de abril de 2019

até amanhã de manhã

no sopro grosso do vento, lá fora, que acelera a cada compasso de espera, vejo-me num beijo demorado, adormecida naquele abraço que me sossega mais que o coração, que me toca na alma.
um arrepio percorre o meu corpo e tu nem fazes ideia das cartas que te escrevo na minha cabeça nem dos sonhos que os meus lábios murmuram enquanto durmo.
a almofada, amarrotada, é o meu alento, o meu aconchego, na madrugada que se avizinha. mais nada.
e no meu bem querer de te querer a ti, mais do que a mim, me faz perder a noção, o sentimento, a razão...! ganhar o medo, aquele que é irracional, sem sentido ainda que sentido e presente mais do que se pretende ou entenda ou seja bem vindo.
dorme meu amor, dorme.
até amanhã de manhã. 

sábado, 30 de março de 2019

reflexos

no som, triste, do violino, balanço o corpo para cá e para lá, num fecho de olhos lento... e sonolento.
fecho os olhos. imagino um dia de sol quente, de verão, a correr numa estrada quente, de alcatrão, com os cabelos soltos ao vento, balões numa mão e gargalhadas ecoadas no vazio da estrada.
o brilho esverdeado dos olhos azuis revelam tristeza na traquinice; dá-lhe mistério, dá-lhe beleza, um ne-sais-quoi de encanto e espanto quando lhe pergunto: quem és tu?, e ela contrapõe: quem queres tu que eu seja?, e eu não sei responder-lhe. 
sorrio. beijo as suas faces rosadas, molhadas das lágrimas e caminhamos juntas, lado a lado, até o sol se pôr; esperamos o brilho frio das estrelas.
na noite escura, já longa vai, a verdade é dita crua, proferida entre os lábios finos, delicados que, só às escuras enxergamos as estrelas; e nós duas somos a mesmíssima pessoa.
amanheceu e ainda estamos por aí, admirando apenas o reflexo dos raios de sol a rasgarem as brumas que o mar deixa para trás e os nossos olhares cruzam-se.  
percebo, finalmente. 

não quero ser o teu reflexo mas sim que sejas tu o meu e assim o meu eco chegue mais longe pela força da inocência, do encanto, da paixão, da inexperiência.

sábado, 9 de março de 2019

farol

pedra após pedra após pedra...
fiz como o poeta
e carregueia-as no regaço,
às costas, de peito à mostra,
num abraço apertado,
no sonho de um beijo demorado.

nas voltas que dei à cabeça
o que fazer, o que fazer?
assumi a crença
e pus-me às voltas.
uma atrás da outra,
atrás da outra...
senti-me escrava,
senti-me moura
mas sabia - libertar-me-ia!

continuei às voltas;
apanhei sol,
vento e frio,
torci o nariz,
mordi o lábio,
chorei e rio!
de petiz a mestre
cheguei ao topo cansada,
esfolada
porém,
acendi a luz.

a luz que se extende por milhas,
mar adentro,
sento e admiro a força da natureza,
à minha frente.
o mesmo mar que ama,
se zanga,
se revolta,
se acalma.
deito e adormeço
embalada pelas ondas,
coberta pelas estrelas
e sonho.

terça-feira, 26 de fevereiro de 2019

lamber as feridas


"o meu processo de cura começou quando deixei de gostar de me ouvir!
estou farta de gritar. de não ter paciência. da saturação. da rotina chata de sempre. da falta de perspectivas. tenho saudades de dormir. 
mas o meu processo de cura não passa por aí.
curar dói, disse-me alguém! 
mas estou feliz que tenhas a consciência da necessidade do teu corpo apelar à mudança. chora. vais chorar... muito. e deixa que ele te veja chorar.

deverão ser as palavras mais sábias que me disseram nos últimos tempos. 
mas as lágrimas não saiem. tenho dias que me sinto tão árida quanto a terra seca do deserto, dos tempos áureos que o mar banhou. e eu não me reconheço!
não sei de onde veio esta necessidade de me transformar. 
não consigo decidir-me se veio da minha cabeça, se veio do meu coração, se veio do meu ventre. 
e esta impaciência que não me larga! queria resolver de vez como quem arranca um penso rápido.
porém, sei... que é um processo longo e ainda agora mal gatinhei."




estas palavras redigi-as eu, outro rascunho como vários outros que já tive, e não cheguei a publica-las. porque... curar dói. 

no entanto...

depois de um ano conturbado como foi o de 2018, às zero horas do dia primeiro, deste ano, decidi, contra todas as expectativas, que é tempo de pôr tudo para trás das costas. está na hora de perdoar quem tem de ser perdoado, esquecer quem tem de ser esquecido, amar quem tem amor para dar. lamber as feridas e seguir em frente.
entrou no meu dicionário palavras como gratidão. descubro-lhe o sabor e o valor dia após dia ainda que o caminho mal tenha começado. 
decidi que está na hora de crescer.
levantei-me. limpei as lágrimas com os punhos cerrados, à espera de outra luta vã, ergui os olhos acima da linha do horizonte e assumi que posso alcançá-la porque eu posso, efectivamente!
reentraram na minha vida, talvez nunca tenham saído, as pessoas certas para me pôrem no caminho certo. aquele em que não duvido de mim, nunca! aquele que não me deixa desistir, por nada! aquele onde estar sozinha, é uma opção.
choquei-me quando percebi que tenho muito para agradecer. e agora agradeço todos os dias quando me aninho nos lençóis e aconchego a almofada, já a madrugada vai longe e pela manhã, em silêncio, para não acordar o melhor sono que um bebé tem, junto de sua mãe. 
percebi, também, como era mais infeliz do que pensava e de como contribuí para isso. 
se é fácil. não é. nada é. nunca. "curar dói.", disseram-me. mas se fosse para ser fácil não seria para mim porque dia após dia consciencializo-me do valor que tenho e que distraidamente esqueci ou cobardemente abafei. felizmente não o perdi. 
as pessoas vão e vêm, é preciso aceitar isso. são como folhas desprendidas ao vento, pousam onde calha. permanecem os sentimentos delas. as suas emoções. as suas intenções. o seu amor. as suas lágrimas também e isso não tem de ser mau. sou eu que escolho o que fazer com essas lágrimas. eu posso decidir que as seco ali ou banhar-me nelas e vitimar-me. eu não sou assim. eu decido que sou protagonista da minha própria história.
grata.

sexta-feira, 1 de fevereiro de 2019

a falta que tu me fazes!

sim, a ferida não cicatrizou. deixei a menina há muito tempo no tempo que passou por mim antes de tempo! a ferida não sarou. nem sei como sará-la. 
há dores que nunca desaparecem e a tua ausência... há horas que me fazes uma falta! não quero nem imaginar o dia que fique sem ela. ainda que eu sei, nesse dia, ela estará bem. mas eu não. eu nunca mais ficarei bem. ficarei ainda mais sozinha no mundo.
acordo para um mundo que não reconheço. que aconteceu ao meu mundo, à forma como o via em menina? 
sim, é certo, que ambicionava ser crescida, quem não? mas o sol era mais quente. as flores tinham mais cor. eu tinha uma lareira e bonecas com vidas perfeitas. a chuva não era fria e os dias cinzentos até tinham a sua graça.
havia abraços inocentes, beijinhos de amor escondidos, palavras sagradas pronunciadas baixinho e risinhos sem jeito, feitos de coisas simples.
roubaram-nos uma da outra. e sim, tenho medo de tudo. tenho medo do mundo. tenho medo de não ser capaz.
tenho também as lágrimas de quem nunca chora.
e também tenho comigo, as gargalhadas inesperadas.
sobretudo, tenho o medo, companheiro amigo que me desafia no dia a dia. que espicaça o meu espírito; que provoca; que me tenta; que me assombra. tenho-o comigo para me lembrar que eu sou mais, que tenho mais e, acima de tudo, que quero muito mais.
espero que estejas comigo, no coração, pelo menos.